Das raízes às tocas: como a estrutura de Spartina alterniflora (Poaceae) modula a diversidade de Brachyura em marismas amazônicas
DOI:
https://doi.org/10.46357/bcnaturais.v21i1.1085Palavras-chave:
Planícies alagadas, Decapoda, Macroinvertebrados, Costa amazônica, Ecologia bentônicaResumo
Marismas dominadas por Spartina alterniflora são ecossistemas costeiros altamente produtivos que desempenham papéis fundamentais na estabilização de sedimentos, acúmulo de matéria orgânica e manutenção de comunidades bentônicas. Embora a influência ecológica de S. alterniflora sobre a macrofauna seja bem documentada em regiões temperadas e subtropicais, poucos estudos sobre essas interações são reportados na costa amazônica. Nesse contexto, este estudo avaliou os efeitos da estrutura da vegetação de S. alterniflora sobre a abundância, a riqueza e a composição de caranguejos braquiúros em marismas da praia do Maçarico, em Salinópolis, Pará, Norte do Brasil. O trabalho de campo foi realizado em junho de 2019, comparando dois transectos com zonas de vegetação contrastantes. Atributos da vegetação (biomassa aérea e subterrânea, altura e teor de matéria orgânica) e métricas da assembleia de caranguejos (abundância, riqueza de espécies e densidade de tocas) foram analisados por meio de ANOVA, PERMANOVA e ordenações multivariadas. Áreas estruturalmente mais complexas, com maior altura de caules, maior biomassa radicular e maior teor de matéria orgânica, apresentaram valores significativamente mais elevados de abundância, riqueza e densidade de tocas. A composição da comunidade também variou entre as zonas, com Uca maracoani e Minuca sp. dominando áreas vegetadas, enquanto Callinectes bocourti esteve associado a zonas menos vegetadas. Esses resultados indicam que a distribuição de caranguejos em marismas amazônicas está fortemente associada à complexidade da vegetação, destacando a relevância ecológica da conservação de habitats de S. alterniflora diante do aumento das pressões costeiras.
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